O Despreparo do Empreendedor

Não é novidade para nenhum empreendedor, que o número de empresas que acabam sendo obrigadas a fechar as portas em até dois anos de funcionamento, chama a atenção.

Por atuarmos acompanhando a trajetória de algumas empresas brasileiras há quase duas décadas, podemos dizer que o número não chega a nos espantar. Isso porque há 10 ou 15 anos esse índice chegava a 70 ou 80% das empresas criadas.

O que está por trás de tamanha mortalidade? É o que apontaremos nesse artigo, a partir de nossa experiência em estruturação de empresa e de programas de formação de executivos.

Despreparo

Um primeiro ponto que gostaríamos de frisar é que, ainda hoje, boa parte das pessoas que ousam iniciar um negócio próprio, fazem isso sem estar preparados para empreender. Por preparação não nos referimos à formação acadêmica somente, mas ao desenvolvimento das competências necessárias à gestão da nova empresa.

Uma das competências necessárias a um empreendedor é a capacidade de antever oportunidades e definir os meios de transformá-la em um negócio real. Isso envolve uma grande ênfase em planejamento e talvez esteja aqui uma das causa mortis das empresas que fecham prematuramente.

Grande parte dos clientes que atendemos, apresentaram-nos falhas, tais como investir todo o orçamento inicial no projeto de arquitetura, não reservando nenhuma verba para o marketing e outras áreas importantes ou não considerar, no planejamento financeiro, o valor necessário de aquisição de estoque para a inauguração (o que poderia ser considerado “erros de principiante”). Mas, na prática, situações como essas acontecem com diversos empreendedores todos os dias, inclusive em negócios iniciados por profissionais que foram anteriormente executivos de grandes empresas. Uma boa capacidade de planejamento é condição básica para se construir um negócio duradouro.

Como desenvolver essa competência?

São necessários conhecimentos técnicos e comportamentais para que um executivo tenha uma grande capacidade de planejamento. Quanto ao primeiro, há diversos programas de capacitação que enfocam princípios e ferramentas-chave para quem precisa planejar o desenvolvimento de um novo negócio. A sequencia do trabalho a ser desenvolvido, os itens a serem observados, os cálculos matemáticos que ajudam a aumentar a previsibilidade dos resultados, etc.

E quanto ao comportamento?

Planejar exige comportamento pró-ativo, ou seja, um orientar-se para frente para definir o que deve ser alcançado e quais as ações precisam ser postas em prática para que tais objetivos se tornem realidade. Feito com seriedade, o planejamento envolve tanto a capacidade de sonhar com a responsabilidade de realizar.

Pode parecer difícil, mas nossa experiência com processos de formação de executivos demonstra que isso pode ser aprendido. Processos de coaching, Programas de Formação de Líderes, Programas de Gestão Empreendedora combinados com outras práticas de capacitação comportamentais ajudam muito o empreendedor na empreitada de um novo negócio.

Finalmente, é oportuno lembrar que nada disso substitui o impulso empreendedor, que deriva de uma combinação complexa de fatores de personalidade e socialização. Mas nisso, os dados mostram que estamos bem: o Brasil está entre os 15 maiores empreendedores do mundo. Em outras palavras, somos ousados para iniciar um novo negócio. Falta-nos mais capacitação para planejar e administrá-lo bem. Vamos à educação!

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