Habilidades técnicas são suficientes para um empreendedor?

O fundamental é que, na corrida pelo desenvolvimento, os empreendedores entendam a importância do conhecimento para si como elemento fundamental para o crescimento de sua empresa, reservem tempo para realizá-lo e persistam nesse caminho, apesar das crises que diariamente assolam os negócios.

É inegável o papel que os pequenos e médios empresários desempenham na economia e na sociedade brasileira em geral. Milhões de empregos são gerados por empresas com faturamento inferiores a um ou dois milhões de reais por mês ou que empregam até cinqüenta ou cem profissionais.

É bastante, mas estas empresas poderiam contribuir ainda mais para o desenvolvimento do país. O que falta então para estas médias e pequenas empresas empregarem ainda mais pessoas, gerarem mais riquezas e prosperarem?

Procuro fazer estas perguntas para diversos clientes e, salvo raras exceções as respostas são sempre as mesmas:

  • Dinheiro
  • Tempo
  • Menos impostos
  • Concorrentes mais leais
  • Etc.

De fato, todos os itens citados são de suma importância para o desenvolvimento da empresa, mas certamente estão longe de serem os mais importantes para seu desenvolvimento.

O papel do líder fundador

Em geral, as médias e pequenas empresas são bastante dependentes da visão e da qualificação de seu principal líder ou fundador. São eles que estabelecem os objetivos que deverão ser atingidos, ditam a forma como a empresa funcionará, enfim, “dão o tom” para a música que vai se ouvir na companhia. Como se diz popularmente no mercado, “a empresa é espelho de seu dono”.

O que acontece, no entanto, quando o “maestro” não está preparado para reger sua orquestra? O som que se ouve passa a ser desagradável aos ouvidos, o desempenho cai e a empresa corre sérios riscos no presente ou no futuro próximo.

Tomada pela operação do dia-a-dia da empresa, grande parte dos médios e pequenos empresários não encontra tempo para se desenvolverem e, conseqüentemente sua performance como líderes de pessoas e de processos, passa a ser aquém do que deveria.

Como o líder não se desenvolve, a empresa passa a repetir velhas práticas empresariais, os profissionais que desejam progredir e se desenvolver vão procurar outras companhias, os produtos e serviços ficam obsoletos e os clientes começam a se afastar. É o ciclo da decadência.

Paradoxalmente, muitos dos empresários que estão nesse ciclo se queixam de que seus colaboradores não buscam o aperfeiçoamento, não trazem novas idéias para o trabalho, não freqüentam cursos, não vão a palestras, etc.

Na nova economia da informação, a única saída é o conhecimento.

Questões e questões e questões

Aos empresários que desejam romper esse ciclo, no entanto, uma nova saga começa. Inúmeras questões são colocadas para as quais eles têm muitas dúvidas e apenas vagas respostas:

  • Quais são os conhecimentos importantes para mim e para o meu negócio?
  • Onde encontrá-los?
  • Como selecioná-los entre tantos cursos e programas existentes no mercado?

Em artigo publicado na Harvard Business Review intitulado “As habilitações de um administrador eficiente” (1977), Robert L. Katz propõe que os administradores devem desenvolver três tipos de habilidades: técnicas, humanas e conceituais. Habilidades técnicas, como sugere o nome, são aquelas ligadas à operação do trabalho, por exemplo: realizar um fluxo de caixa, vender, desenvolver um novo layout de produção, etc. Por habilidades humanas, entende-se a capacidade do indivíduo de construir relacionamentos construtivos para si e para outros e, através dele obter melhores resultados. Finalmente, as habilidades conceituais, referem-se à capacidade do indivíduo de compreender diferentes aspectos de sua atividade a partir de um prisma mais estratégico, integrando múltiplas visões relacionadas ao assunto, tomando decisões de maior impacto e mais longo alcance.

Na verdade, acredito que essas habilidades listadas por Katz são a base das competências que os empreendedores devem desenvolver.

Uma grande armadilha, da qual o empresário deve fugir, é dedicar mais tempo para o desenvolvimento de habilidades técnicas, normalmente mais fáceis de desenvolver, em detrimento das habilidades conceituais e comportamentais, estas sim mais complexas de serem adquiridas, porém muito mais relevantes para sua atuação como líder.

Entendido isso, resta ao empreendedor saber onde encontrar tais conhecimentos e como selecioná-los no mar de treinamentos existentes por aí afora.

Quantidade e Qualidade

De fato, uma consulta rápida na internet, por exemplo, pode trazer mais de três mil sites com conteúdo relacionado à formação de pessoas para atuarem no ambiente de negócios, assim como um jornal de domingo pode relacionar centenas de alternativas para a mesma finalidade. São cursos, programas de desenvolvimento, graduação em faculdades, workshops, palestras, seminários, etc., todos com inúmeras promessas, algumas simplesmente impossíveis de serem cumpridas.

Embora não exista uma regra geral, algumas informações podem facilitar a busca de desenvolvimento do empresário.

As palestras normalmente têm uma menor duração e se prestam principalmente ao objetivo de sensibilizar os participantes para determinado assunto. Em geral têm pouca utilidade no desenvolvimento de uma nova habilidade. Como se diz, visam apontar para onde os ventos sopram.
Os seminários e os workshops normalmente são mais longos, incluem o debate ou a vivência do assunto abordado e têm a finalidade de desenvolver determinadas habilidades, em geral mais específicas.

Finalmente, existem diversos programas de formação, de acompanhamento, e de educação continuada, que visam desenvolver no empreendedor habilidades mais gerais, voltadas à gestão do negócio como um todo ou de uma parte dele. Incluem nesta última modalidade, os programas de acompanhamento da liderança (coaching) realizados por consultores externos à empresa que visam a dar feedbacks aos empresários sobre seu modo de atuação no dia-a-dia e propor formas de alteração e aperfeiçoamento.

A opção por um ou outro processo de formação depende da habilidade ou competência que se está procurando adquirir. O fundamental é que, na corrida pelo desenvolvimento, os empreendedores entendam a importância do conhecimento para si como elemento fundamental para o crescimento de sua empresa, reservem tempo para realizá-lo e persistam nesse caminho apesar das crises que diariamente assolam os negócios.

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